17/07/2009
Campeonato Sela de Ouro no Vale do Jequitinhonha
Autor: Cristina Vieira / Fonte:
Cavaleiros de todo o Brasil se encontraram no Vale do Jequitinhonha para mais uma etapa do Campeonato Sela de Ouro, da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador. Com o apoio do IDENE e Turismo Solidário, a competição, que saiu de Diamantina, percorreu cerca de 200 km pelas antigas trilhas usadas pelos tropeiros, num roteiro paralelo à Estrada Real.
Sob o selo Caminhos Gerais, projeto idealizado por Lucio Flávio Baioneta e viabilizado pelo Ministério do Turismo, mais de 150 participantes, entre cavaleiros, tratadores, equipe de apoio e amigos se unem para aliar o esporte à ação solidária.
“O que mais nos deixa satisfeitos é ver o sorriso no rosto de uma criança e o reencontro com os amigos”, afirma Baioneta. Ele ilustra uma noite junina em São João da Chapada, em que a população esperava ansiosa a chegada dos cavaleiros na praça e a alegria com que a equipe era recebida. “ O Turismo Solidário é a mola mestra das nossas ações. Há um intercâmbio de costumes, lugares, culinária, sabores, e uma enorme troca de experiências”, completou.
Segundo o idealizador do projeto, o Caminhos Gerais já prestou assistência a cerca de 30 mil crianças e 13 mil adultos nos Vales do Jequitinhonha e São Francisco. Este numero so pôde ser alcançado pela parceria com as Universidades de Goiania e Uberlandia, e no caso do Vale do Jequitinhonha, a parceria com a Unimontes.
Durante o trajeto, os cavaleiros e amigos se unem aos universitários e prestam assistência às populações dos distritos que os recebem. Cerca de 90 alunos de 12 cursos ofereceram assistência medica, odontológica, jurídica, alem de brincadeira, musica, e muita diversão.
Murielle Possidônio, aluna do Curso de Serviço Social participa do turismo Solidário no programa Caminhos Gerais desde a sua primeira edição.Para ela, é um momento importante de levar para a prática o que eles aprendem na teoria, e uma oportunidades especial de ajudar as pessoas, para depois discutir em sala de aula a realidade do Brasil.
Para o professor Gilson Froes, coordenador de Ação Social, ele segue o lema da frase de Milton Nascimento: “todo artista tem de ir aonde o povo está” . Para ele, em cada edição do evento o estudante aprende muito, além da pratica a formação humana.
Marina Quiroz, pro-reitora de Extensão da Unimontes também visitou o projeto em Capivari e São Gonçalo do Rio das Pedras. Ela ressaltou a importância da parceria da Unimontes com o Turismo Solidário e com o Selo Caminhos Gerais, para desenvolver. Segundo ela , a cada ano cerca de 300 alunos se candidatam para fazer parte do projeto, dos quais 96 são escolhidos, entre diversas áreas.
SELA DE OURO
De acordo com Lúcio Flávio Baioneta, a criação do torneio Sela de Ouro aconteceu para proporcionar ao pequeno criador de Mangalarga Marchador a oportunidade de chegar ao grande evento, que é a 28 Feira Nacional, que aconteceu em Belo Horizonte, no Parque da Gameleira, no próximo dia 18 de julho.
Para que seja eleito o Sela de Ouro, eles trilham uma “ marcha solidária” , de cerca de 250 km, onde um árbitro oficial vai fazer um julgamento criterioso. O nome do vencedor so é revelado no grande evento em Belo Horizonte, em que é conhecido o melhor cavalo de sela da raça. Há também dois outros prêmios, o Rédea de Ouro, que agracia o melhor cavaleiro e o Estribo de Ouro, que contempla o melhor tratador.
Lúcio Flávio destaca, neste ano, a participação de cavaleiros estrangeiros, que se hospedam nos receptivos do Turismo Solidário e podem, assim, além de contribuir com a população local, sentir o que significa o programa. “ Somos o único país no mundo com sol, terra, água o ano inteiro.
Para a amazona holandesa Aiuna Gration, foi uma oportunidade e tanto de conhecer outra cultura. Ela se encantou com as belezas naturais e com a alegria dos brasileiros.” Como na Holanda não tem montanhas, fiquei impressionada com a paisagem” disse Aijuna, em um misto de português e inglês. Em cima do Fantástico, nome do Mangalarga de marcha picada, a holandesa percorreu os mais de 200 km na esperança de que seu cavalo chegasse bem.
Para o historiador Eduardo Schnor, outro integrante da cavalgada, esse trajeto ajuda a conhecer a historia do Brasil. Para ele, o projeto é sensasional “ porque ajuda às populações que formaram nosso país.”
A cavalgada contou com a participação alegre dos nordestinos, com seu forro animado com zabumba, sanfona e triangulo e com participantes de todas as faixas etárias, como a paulistana de Amparo, Camila, de apenas 13 anos.
ARTESANATO, CULTURA E GASTRONOMIA.
Em São Gonçalo do Rio das Peras, os cavaleiros e toda a equipe puderam saborear o tradicional franguinho caipira, provar dos doces tradicionais, do vinho local e conhecer o rico artesanato da região.
Uma feira de artesanato foi cuidadosamente montada na Associação de Mães, onde os participantes do evento puderam escolher entre tapetes, cestaria de capim do cerrado, cosméticos produzidos com plantas da região, como Macaúba e Mutamba, cachecóis, entre outros.
Para Maria José Benjamim, integrante da associação, a cavalgada Caminhos Gerais é uma oportunidade de incrementar as vendas. E não pensem vocês que maiores consumidores são as mulheres. Segundo a artesã, os homens se aventuraram mais nas compras.
Elenice da Conceição Silva Prado ressaltou, outra associada, ressaltou a geração de emprego e renda, e disse que seria melhor se tivessem outros eventos como esse durante o ano.
O distrito de Capivari foi agraciado caixa de água, uma doação dos cavaleiros para toda a comunidades. O presidente da associação local agradeceu e ressaltou a importância do Programa Turismo Solidario e Caminho Gerais para a população local.

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